13/04/2010

Piratas do Lote 7

Ao longe já se via terra. O Joel na cadeira de vigia gritava Capitão Capitão e o Vasco rodava o leme que tinha deixado de ser tupperware por umas horas.

A borrasca tinha sido forte e as velas de panos de loiça não tinham resistido ao temporal do quarto oceano. Finalmente estavam quase a desembarcar na praia do tapete da sala, onde - dizia-se - a areia era mais branca que lençóis de cama e a água mais azul que toalhas de banho.

Desembainhando a colher de espada, Vasco Capitão ordenava os seus homens para a terra a toda a brida. A fome de duas horas inteiras já se sentia nas barrigas...

Finalmente, os pés puderam chapinhar naquela bela praia de soalho coberto. Francisco soava a corneta do novo mundo enquanto alertava a chegada de outras gentes. Tinham sobrevivido. E ia começar a exploração daquela terra fantástica.

Eram 16h e 25m e a Adelaide chamou-os para o lanche. Poisaram as armas e os chapéus que não tinham mas lá estavam, e foram lanchar pensando na terra do 4º andar que ainda não tinha sido descoberta!

-"Capitão, temos outra grande viagem pela frente!"
-"Comam rapazes, temos de ser fortes para lutar contra os guerreiros do beliche! Amanhã zarpamos bem cedo...Ó mãe o Joel tirou-me sandes!!!"

28/12/2009

Último escrito do ano

Uma coisa é uma coisa. Uma cena. Nada de importante como é o texto.

Vi que palavras, invenções recentes da História porque necessárias, são até mais que coisas. Mas, como elas, somem-se e subtraem-se aos dias.

Disseram-me já tantas coisas...Cenas (cenas inteiras mesmo e sem calão)!

Dessas, guardo uma - cena sim - que não usaste em palavra. Apertaste-ma no peito...

...E ficou, como o respeito.

Foi depressa...E não passou.

Mas pecou por defeito!

23/11/2009

Rimar com memória

A vitória tem-se num desafio.
Ou é enlevada a glória
Ou queimada na escória
Por não haver mais pavio...

A vitória na guerra é morte;
No jogo são gritos; no amor é sorte e...
...Pequenos prazeres da memória
Daqueles que se vêem aflitos
Por ver que passa a sede corpórea
Enquanto se mantêm os ritos.

Haja vontade e força, então,
Para plantar mais razão...
E que nasça uma planta visória
Na paisagem arbórea
Que pode ser relação.

Não fosse cunho e vergão,
E esta fatídica história
Não passava de pregão
Ou de lembrança irrisória.

18/11/2009

A pipoca mais doce ou como se faz um Bodelogue

Falo de um blogue, mais diário que um Jornal e menos cheio de conteúdo que um bolso de operário. Falo do sítio da pipoca mais doce.

Nesse "bodelogue" podem ler-se anedotas, dicas de moda feminina, conselhos de gestão financeira de recurso, e até pequenos desabafos de autora. Podem ler-se linhas de escrita cria...tura!

Longe de me querer tornar num crítico entendido, é a minha condição de leitor comum que me impele a insurgir contra aquela porcaria.

Sei bem que existem blogues para todos os gostos, idades e credos. Mas assim não!!! Não me incomoda nada que sítios como esse existam - aliás até acho bem que existam porque assim o contraste entre estes e os bons é ainda maior. Mas permitam-me que diga que acho é uma bodega! Uma ode ao consumismo e à futilidade com textos curtos pejados de falsa modéstia e arrogância burguesa com um ligeiro toque a novo-riquismo. Raquitismo! De escrita e de autoria que se apresenta numa pessoa que nem gosta de crianças porque irritantes e barulhentas, mas que vai casar e está a escolher vestido...

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Em tempos tive um professor de português que, depois de ter entrado uma maçã a voar pela janela da sala de aula, atirada provavelmente por um qualquer reprovado do ano anterior, exclamou enquanto se baixava para apanhar o fruto já oxidado:

- "Quem é que o vai castigar?... Sou eu!?..."

Na sala, que antes da exclamação já se tinha silenciado com lábios prensados e sorrisos atrás das costas - daqueles sorrisos que antecedem uma gargalhada capaz de esperar meia-hora pelo intervalo para se fazer ouvir inflamada no recreio -, não se ouvia agora nem o riso do atirador de maçãs... "O rapaz se calhar até nem merece castigo nenhum" - pensávamos nós (solidários alunos enfadados)!

Continuou:

-" Quem o vai castigar é a vida! A VIDA!!!!"

Parou-nos a vontade de rir. Logo ali pude avançar alguns anos e admitir que o "sacana" (perdoe-me senhor Professor se estiver a ler isto agora) tinha razão.

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Este pequeno episódio serve para explicar aquilo que quero dizer. A autora pipoca, a dada altura terá decidido atirar uma maçã para dentro da sala dos blogues. Como o rapaz daquela história, ter-se-á tornado heroína do recreio.

Será que a vida já a castigou por tamanha ousadia!? Se calhar ainda não. E digo que ainda não, porque a sr.ª D.ª Pipoca continua a atirar maçãs.

Também é verdade que ainda não as vi/li todas... Mas acho que ter visto/lido apenas aquelas iniciais, foi suficiente para me aperceber que daquele pomar não saem Granny Smiths, Starkings, Fujis, Reinetas nem Bravo de Esmolfe. Quais frutos da eloquência, saem Piparotes azedos de casca furada, sem sumo e com bicho.


Agora pasmemo-nos ainda mais! A autora do blogue ganhou o concurso online da mulher mais invejada de Portugal! Ai Portugal, Portugal!!!

Quem é que a vai castigar!? Sou eu!?...

Embora não mereça castigo, porque afinal de contas só atira maçãs, ao que parece já teve um ligeiro percalço na vida. A autora Pipoca jornalista é, agora, cronista do 24 Horas.

Ora digam lá se o meu antigo professor de Português tinha, ou não tinha, razão!?

É a vida!

17/11/2009

Olympus Pen

Embora não ache que seja a melhor máquina fotográfica, este anúncio à Olympus Pen deve estar certamente entre os melhores que já vi.