25/11/2008

De baraços cruzados

Um autor conta o se calhar sem que a regra diga, e a noção cale. Com a decisão de respeito, gosta de prosar para a fotografia para se sentar mais feliz.

Com a escrita o autor lava o reflexo, seja de espírito, de alma, de espelho da calma... E exalta vontades latas de encómios - porque ninguém escreve para si.

Um sujeito pré-indicado complementará um discurso directo na circunstância de um lugar e de um tempo, participando no presente para se tornar autor. E sem ter a certeza do que o torna e torneia só pode, como todos, chegar ao ponto final que diz que só o futuro é que é puro e seguro porque incerto. Maduro.


E se os baraços se cruzassem e a escrita não se fizesse?

24/11/2008

Advérbios de Moda

Já se sabe que todos nós temos as nossas próprias maneiras de falar com os respectivos tiques e toques na fala, produto às vezes de articulações e ligações, quais ligamentos e pontes, para que o discurso se faça sem barreiras. Mas há limites! Ou se calhar até nem há?...

Longe vai o tempo que o "Pá" era descoberto como ponto final do discurso, para depois passar a ser usado mormente numa frase de orador pretensamente porreiro que transferia, conscientemente, para o seu produto de raciocínio discursivo um carácter de condescendência e tolerância vestida de alguma comédia. Não é assim, pá!...

Ainda há bem pouco tempo nasceu um novo tipo de Tipo, fulano linguístico indefinido, usado para o exemplo conclusivo de uma conversa mais ou menos interessante... "Tipo" esta! Para além de conversas técnicas que usavam o substantivo convenientemente, por exemplo para a divisão dos peixes (de Tipo X), o "Tipo" já era somente usado para equivaler à expressão "Como por exemplo...". Ora aqui estava uma descoberta feita por um tipo qualquer, que se lembrou que o "Tipo" era uma forma (boa!?) de desenhar a ideia. Mas se fora descoberto como articulação, pessoas há que já o usam como travessão:

- "Tipo... se formos lá hoje, o gajo arranja-nos aquilo, pá!"

Ainda nos estávamos a adaptar ao "Tipo" e, sem mais (imaginação) nem menos (demoras) apareceu um outro:

Apresento-vos o "Basicamente". Reconhecem-no? Isto é "basicamente" o que se diz nos últimos tempos. Da imprensa ao ensino, os intervenientes já usam o "basicamente" como se fosse uma vírgula.

Se há coisas que me irritam ultimamente, e sem querer chamar coisa ao senhor o Paulo Bento é uma delas, o "basicamente" é para mim uma tendinite do movimento da fala propensa à ira momentânea que me faz tartamudear ainda mais.

Insurjo-me contra esta forma autista de estereotipar discursos e de, como a moda, produzir têxtil massivo que possa ser usado por todos - com a diferença de que nesta não se escolhem cores e tamanhos. Talvez o único tamanho disponível nas lojas senso comum para esta expressão seja o XU (Extra Used).

Por isto propunha que se inventasse uma nova classificação gramatical para estas palavras: Advérbios de Moda.

"Era basicamente só mais uma classificação, ... Tipo aquelas que um gajo estuda na escola!"

Desculpem mas não resisto! Só mais esta:

"...Tipo, iá! Tás a ver? Basicamente é isso!"

21/11/2008

Sismulacro

Caros cidadãos,

Hoje, dia 21 de Novembro de 2008, vamos simular que não estamos em crise! A partir das 15h 00m o país, mais concretamente a área da grande Lisboa vai entrar em crescimento económico súbito até Domingo.

Vamos todos fazer de conta que o capitalismo assente em mecanismos especulativos vai começar a dar frutos, que as grandes empresas vão ganhar ainda mais poder e autonomia financeira, e que alguns senhores dirigentes de grandes bancos e gasolineiras irão retribuir justamente os excelentes investimentos estratégicos e irão devolver dinheiro a todos os seus clientes.

Vamos todos dar as mãos e saudar o capitalismo com "Urras" e "Vivas" e fazer de conta - relembro, até Domingo - que vivemos de forma folgada e próspera.

Portugueses, Simulemos uma vitória económica na Cidade Capital deste rico país.

José Sócrates

- "Pronto, acabei! O que achas desta ideia?"

- "Ó senhor Primeiro Ministro, se me permite... Talvez seja melhor simular um sismo! Sempre testávamos a capacidade de reacção da Protecção Civil, enquanto calávamos muitos cientistas que afirmam há não sei quantos anos que estamos mal preparados para um tremor de terra de grandes proporções! Por outro lado, a ideia não era tão assustadora!"

- "Efectivamente tens razão! Um sismo sempre era mais realista. Para além disso, não tenho a certeza se os Portugueses aguentavam três dias inteiros de felicidade! É que simular tal situação é muito difícil! Então e pomos o epicentro onde? Ali no Banco de Gorringe como em 1755?"

- "Talvez não! Se calhar era melhor uma coisa mais regional! Ali em Benavente como em 1909, por exemplo! Assim limitávamos esforços sem obrigar a Protecção Civil a trabalhar muito, e não incomodávamos turistas algarvios resistentes ao frio. Uma coisa que implicasse só as Câmaras de Santarém, Benavente e Lisboa!... O que é que diz?"


- "Isso mesmo! Óptima ideia! Põe esse plano em marcha e começa já a emitir comunicados! Até calha bem porque como hoje é greve da função pública até nem vamos incomodar muita gente!"

- "E o Senhor Primeiro quer mais alguma coisa?"

- "Não é tudo! Agora deixa-me escrever aqui uma carta ao Major-General Arnaldo Cruz da ANPC a pedir desculpa pelo incómodo, que daqui a bocado vai começar o minuto verde e eu quero ver se não perco a dica de hoje!"

30/10/2008

Ritual Tejo

Pois parece que aqui o rapaz já não aparecia no blogue há já algum tempo. Enquanto recupero da lesão de espírito, aqui fica uma musiquita para suavizar a paragem e antecipar a volta.

Até já

Foram Cardos, Foram Prosas - Ritual Tejo

17/07/2008

14/07/2008

A ignorância do Miguel

Há dias, um dos assinantes da Archport - sítio de partilha de informação arqueológica (e não só, mas principalmente) onde às vezes, para além das habituais informações de colóquios, palestras, ofertas e procuras de emprego, se fazem comentários sobre a arqueologia em termos gerais, sobre o seu estado e sobre alguns intervenientes mais ou menos competentes - colocou um excerto de um artigo do Miguel Sousa Tavares sobre a problemática da construção da Barragem do Sabor, relembrando a antiga em torno do Côa!

Eu, que até aí desconhecia totalmente a opinião do senhor Miguel Sousa Tavares acerca de Foz Côa, fiquei estupefacto quando soube que este jornalista ainda tem dúvidas em relação à veracidade histórica e ao valor científico cultural que as gravuras paleolíticas do Côa possuem!

Para quem não saiba, digo que uma escavação relativamente recente no sítio arqueológico do Fariseu veio provar a idade antiga das gravuras uma vez que demonstrou com datação de OSL que um dos níveis arqueológicos que cobriam o painel tinha pelo menos 15 mil anos. Ora se cobria o painel, e uma vez que o princípio da sucessão estratigráfica diz que uma camada que está por cima de outra é sempre mais recente, não restam muitas dúvidas quanto à idade de criação daquele tipo de manifestação artística - única ao ar-livre referente a este período pré-histórico.

Parece que esse tal jornalista se refere às gravuras como "rabisco" supostamente antigos!...

E ainda, pergunto eu, dão cobro a este tipo de posturas reaccionárias e ignorantes por parte de jornalistas que se pressupõem informados?

Caríssimo senhor jornalista Miguel Sousa Tavares, tenho pena que não saia aos seus! E não se preocupe que eu não daqueles bloggers que não assina depois do escrito. Saiba o senhor, que o meu nome é João Araújo Gomes, sou arqueólogo, e estou triste por saber que existem pessoas como o senhor que acham que não vale a pena defender a cultura. Só não estou mais desiludido ainda com a sua posição porque para além de já não ter muitas ilusões, infelizmente, de si não esperava muita coisa! Senão vejamos esta carta de uma professora para Miguel Sousa Tavares a propósito de outro seu artigo, também ele indicativo de desconhecimento de causa:

«Não é a primeira vez que tenho a oportunidade de ler textos escritos pelo jornalista Miguel Sousa Tavares. Anoto que escreve sobre tudo e mais alguma coisa, mesmo quando depois se verifica que conhece mal os problemas que aborda. É o caso, por exemplo, dos temas relacionados com a educação, com as escolas e com os professores. E pensava eu que o código deontológico dos jornalistas obrigava a realizar um trabalho prévio de pesquisa, a ouvir as partes envolvidas, para depois escrever sobre a temática de forma séria e isenta.

O senhor jornalista e a ministra que defende não devem saber o que é ter uma turma de 28 a 30 alunos, estando atenta aos que conversam com os colegas, aos que estão distraídos, ao que se levanta de repente para esmurrar o colega, aos que não passam os apontamentos escritos no quadro, ao que, de repente, resolve sair da sala de aula. Não sabe o trabalho que dá disciplinar uma turma. E o professor tem várias turmas. O senhor jornalista não sabe (embora a ministra deva saber) o enorme trabalho burocrático que recai sobre os professores, a acrescer à planificação e preparação das aulas.

O senhor jornalista não sabe (embora devesse saber) o que é ensinar obedecendo a programas baseados em doutrinas pedagógicas pimba, que têm como denominador comum o ódio visceral à História ou à Literatura, às Ciências ou à Filosofia, que substituíram conteúdos por competências, que transformaram a escola em lugar de recreio, tudo certificado por um Ministério em que impera a ignorância e a incompetência. O senhor jornalista falta à verdade quando alude ao «flagelo do absentismo dos professores, sem paralelo em nenhum outro sector de actividade, público ou privado». Tal falsidade já foi desmentida com números e por mais de uma vez. Além do que, em nenhuma outra profissão, um simples atraso de 10 minutos significa uma falta imediata. O senhor jornalista não sabe (embora a ministra tenha obrigação de saber) o que é chegar a uma turma que se não conhece, para substituir uma professora que está a ser operada e ouvir os alunos gritarem contra aquela «filha da puta» que, segundo eles, pouco ou nada veio acrescentar ao trabalho pedagógico que vinha a ser desenvolvido. O senhor jornalista não imagina o que é leccionar turmas em que um aluno tem fome, outro é portador de hepatite, um terceiro chega tarde porque a mãe não o acordou (embora receba o rendimento mínimo nacional para pôr o filho a pé e colocá-lo na escola), um quarto é portador de uma arma branca com que está a ameaçar os colegas. Não imagina (ou não quer imaginar) o que é leccionar quando a miséria cresce nas famílias, pois «em casa em que não há pão, todos ralham e ninguém tem razão».

O senhor jornalista não tem sequer a sensibilidade para se por no lugar dos professores e professoras insultados e até agredidos, em resultado de um clima de indisciplina que cresceu com as aulas de substituição, nos moldes em que estão a ser concretizadas. O senhor jornalista não percebe a sensação que se tem em perder tempo, fazendo uma coisa que pedagogicamente não serve para nada, a não ser para fazer crescer a indisciplina, para cansar e dificultar cada vez mais o estudo sério do professor. Quando, no caso da signatária, até podia continuar a ocupar esse tempo com a investigação em áreas e temas que interessam ao país. O senhor jornalista recria um novo conceito de justiça. Não castiga o delinquente, mas faz o justo pagar pelo pecador, neste caso o geral dos professores penalizados pela falta dum colega. Aliás, o senhor jornalista insulta os professores, todos os professores, uma casta corporativa com privilégios que ninguém conhece e que não quer trabalhar, fazendo as tais aulas de substituição.

O senhor jornalista insulta, ainda, todos os médicos acusando-os de passar atestados, em regra falsos. E tal como o Ministério, num estranho regresso ao passado, o senhor jornalista passa por cima da lei, neste caso o antigo Estatuto da Carreira Docente, que mandava pagar as aulas de substituição. Aparentemente, o propósito do jornalista Miguel Sousa Tavares não era discutir com seriedade. Era sim (do alto da sua arrogância e prosápia) provocar os professores, os médicos e até os juízes, três castas corporativas. Tudo com o propósito de levar a água ao moinho da política neoliberal do governo, neste caso do Ministério da Educação." Dalila Cabrita Mateus

Já agora, o Parque arqueológico de Foz-Côa é visitável e está aberto o ano inteiro!

Já o foram visitar!? Ainda não!

É pena.

Quanto a si, Sousa Tavares, dedique-se aos livrinhos! Pelo que ouvi dizer, até nem estão mal escritos! Deixe lá o jornalismo para aqueles que o sabem fazer.

02/07/2008

Homenagem ao Hipopótamo André


Nunca o conheci! Nunca o conheci mas ainda bem.

Foi certamente um herói! Criado por uma heroína que o quis inventar para fazer com que um sorriso se pudesse conjugar apenas na primeira pessoa do familiar presente, o André nasceu antes de mim.

Nunca o conheci mas sei que ele mora na Rua da Certeza, numa casa sem divisões e com apenas um sala de bem-estar que, ainda antes de ser casa, começou por ser apenas uma porta que nunca teve tranca.

Na enorme casa do Hipopótamo André moram três pessoas. Ele, uma pessoa que às vezes nem sabe que ainda lá vive, e outra que saberá sempre que lá vive.
Nunca o conheci! E embora saiba onde ele mora e até o possa dizer a quem me queira perguntar, tenho a certeza que só lá entram duas pessoas.

Também sei que o André é Sincero de apelido e gosta de histórias e de contos.

Para que outros dois a contem sempre que o queiram, aqui fica o início da sua...

É uma vez...


06/06/2008

Parece impossível

Foi com alguma tristeza que saí do Montijo (para os puristas da língua terei saído de Montijo) e que abandonei a cidade que me viu crescer durante cerca de 15 anos.

No entanto não posso deixar de partilhar outro desgosto. Foi com surpresa que encontrei um blogue nacionalista criado por um montijense (atípico - espero!).

Que pena que eu tenho que esse fulano não seja esclarecido!!!

A ele e a todos os nacionalistas desejo as melhoras.

Ainda assim, viva o Montijo

Riam, para não chorar:
http://montijoterraportuguesa.blogspot.com


OS CRIMINOSOS

Augusto morava longe. Muito longe. Quase tão longe como a distância que fica entre a cama e a porta de casa quando tocam à campainha num domingo de manhã, e só lá está o sono para ir ver quem é. Morava mesmo muito longe.

Era portanto normal que outros lhe dissessem, quando ele os olhava, que estava sempre distante, quase aéreo. Mas no fundo Augusto era aviador. Gostava de voar.

Nenhum mundo tem planetas. Nenhuma lua tem mundos. Mas Augusto passava lá a vida. Augusto era astronauta. Gostava de voar. Gostava de viajar. E tanto viajava ele, sem dinheiro, e sem se mexer.

Anabela era mulher de Augusto, e, embora não quisesse, era ela que tinha de organizar todas as viagens do marido, sem precisar de lhe perguntar onde queria ir. Ela sabia-o melhor que ninguém. Sentava-se ao lado dele, colocava-lhe o cinto de imaginação, e conduzia-o para todos os sítios dos mesmos dias.

Augusto, sempre o mesmo, viajava sem destino nem rota. Anabela, decidia a que horas ele voltava...

O Café da Prata, lugar de convívio de que haviam sido donos, teve, a certa altura, de ser vendido para que fosse possível comprar a cadeira de rodas eléctrica de Augusto.

Ele tinha estacionado o corpo ao lado da tristeza depois daquele acidente de viação quando levava Anabela a Badajoz para fazer um aborto. Augusto nunca mais foi o mesmo. Nunca mais andou. Ela, tornou-se-lhe a companhia nas viagens de literatura narrada, e ele, imóvel, só era o que queria, naquela meia hora de leitura chorada que Anabela forçava, para deixar de se sentir culpada, criminosa...

Todos os dias Augusto fugia da prisão do si durante meia hora, e tornava-se piloto alguém para toda vida. Daqueles que conduzem depressa numa pista de círculos, e não são presos pelo remorso, de ver que o crime lhes é apontado.

Augusto morava longe. Muito longe. Quase tão longe como a distância que fica entre o rés-do-agora-são e o seu primeiro andar.

04/05/2005

12/05/2008

Idade do Velo

Já se sentem estalares de osso
No estrato prumo das decisões.
Já se sentem as articulações
Quando me estico ou me baixo
ou me massajo no pescoço.

São já tão curtos os espaços de tento
São já tão breves as ilações
Que se me sento ou me levanto
Para ver se encontro sentimento
Sinto a correr pelas veias do espanto
Outra corrente sanguínea de vento
Que me sopra na artéria lições.

Prefiro que a circulação
De sangue e de momento
Se processe sem lamento
Ainda que me doa a criação
E as pernas...
E os braços...
E os olhos...
E a noção.

23/04/2008

Ao político

Veste forma de clássico cabide
E traz traje de gala prá labuta
Usa nó bem dado na fala
Reúne-se com outros na sala
Querendo mostrar a goma astuta

"É de nobres famílias" - pensamos!
Mui cordato senhor da fama...
Jamais imaginado
Daqueles que põem na lama
Os focinhos e dão toucinhos

Grita-se aos fartos da novela...
Até canta preciso A cappella...
E espanta o próprio ego
Quando mete mais um prego
No caixão da querela

É humano e animal
Este político de género antigo
Tem presença e Carnaval
No seu gesto de intento brutal
Mas que a nós, nos dá castigo

18/04/2008

Os sem amigo

A única coisa que posso fazer enquanto vou gastando anos até lá chegar, é ir tentando.

Não consigo imaginar qual será o sentimento que mais preenche as vidas dos que, como eu pessoa, sobrevivem inúmeras luas em nome de uma busca qualquer, cheia ou vazia, velha ou nova, rica ou pobre, até que chegue o momento em que já não importa.

Não consigo calcular a percentagem de vazio que enche as horas mortas dos que, como eu ser vivo, ainda não morreram.

A única coisa que posso fazer enquanto vou gastando anos até lá tentar, é ir chegando. Chegando à conclusão que há injustiças. E realizando que só há injustiças porque as sentimos.

Só posso ir tentando até que consiga passar alguma mensagem a alguém.

Com amigos, claro, tudo se torna mais fácil. Menos pesado. E a ordem proporcionalmente inversa ao prazer rápido e ao sofrimento vagaroso, passa a ser realidade.

Os que não têm amigos nem sítios nem nada, têm muito mais tempo para pensar no que não têm.

Até lá, e enquanto vou tentando compreender porque é que existe vazio, vou também tentando fazer melodias como esta:

08/04/2008

Discurso Benfiquista...

O vídeo seguinte talvez explique a razão dos maus resultados do Benfica.

Compreende-se que os jogadores do Sporting tenham demorado algum tempo a compreender as indicações do "mister" Paulo Bento por causa da elaboração vocabular do seu discurso.

É por demais evidente que os jogadores do Benfica estão a demorar a aprender a jogar à bola! Senão vejamos: Numa altura em que quase todos eles já falavam espanhol "Camachês" abrutalhado - ou pelo menos compreendiam - a mudança súbita desse diálogo para um que está repleto de metáforas subentendidas, fugas surpreendentemente inteligentes à indagação directa, comentários indirectos somente com a utilização do complemento circunstancial de lugar, conjugações de verbos irregulares sem indicações de sujeito, e uma ligeira ironia subliminar precedida de um movimento sub-reptício de elevar das escápulas acompanhado de um ligeiro inclinar de cabeça, faz com que os treinos do SLB sejam, seguramente, uma enorme confusão:

- "Ó Ed Carlos, vê lá se...coiso pá, ãh!... É que senão o Petit vai ter que...ãh! Vê lá isso, pá! É o que eu tenho a dizer..."

-" Mas ó misté, o Nuno Gomes está-me só a agarrando e já me aleijou aqui na canela!..."

-"Ó Nuno pá...ãh! Vê lá se... coiso. Tás a compreender!... Não te esqueças que o peró..per...pernó... aí essa coisa da perna do gajo está... ãh! Tem lá..coiso pá. É o que eu tenho a dizer."

-" Pessoal, amanhã vamos ganhar! Tu, quando fores pela al... corred... faix... por aquele lado, tens de press...fazer press... tens de... ãh! Acho que já compreenderam! Vamos lá malta... vamos lá...coiso! Ãh! É o que eu tenho a dizer.."

24/03/2008

Antes e Depois

Calculo que o objectivo da adopção do leão como símbolo para o Sporting Clube de Portugal tenha sido o da transmissão de ideia de suprema invencibilidade, de força e de poder.

Presumo que acção do vídeo seguinte deva ter sido a imagem que estaria na imaginação dos criadores daquele símbolo quando quiseram promover uma imediata associação ao clube desportivo tremendamente poderoso, "letal" e, quiçá, "selvagem"...
...Talvez mesmo indomável:



Mas o que acontece é que ultimamente o Sporting tem dado mostras de ser um clube pouco ambicioso, nada audaz, e muito pacífico sem grandes reacções instintivas. Talvez domesticado porque em cativeiro, apresento-vos o mesmo símbolo numa óptica completamente diferente.



Não deixa de ser um belo símbolo... Mas julgo que não deva ter sido bem este tipo de reacção animal que se perspectivou quando se adoptou a mascote e se pensou na raça leonina!

Afinal o Leão é ou não perigoso e poderoso? Só uma conclusão me ocorre:

Sem me querer armar em Rui Santos na próxima análise futebolística, até porque me julgo muito menos presunçoso, acho que posso afirmar que o "Leão" quando tem espaço para "correr" é perigoso e "letal"! Mas quando lhe confinam os espaços... É o que se vê!

14/03/2008

O meu cão ladrou
O outro parou
O Polícia chamou
O carro apitou
e a Velha ia sendo atropelada

O dia acabou
O descanso chegou
O jantar sobrou
E eu já vou...
Que amanhá é outra estopada

Ainda nem estou
Mas há muito que dou
E o Espaço não notou
Que a nota que soou
Até foi muito bem dada

O meu cão ladrou
O outro parou
Mas ainda ninguém falou
Do barulho que constou
Daquela obra mal fadada

O tempo não ficou
O vento não soprou
A chuva não molhou
O sol não secou
Nem aconteceu mais nada

09/03/2008

Como é que fui capaz ver aquilo tudo!?...

Preocupado com a situação actual do meu clube de futebol (para quem ainda não saiba é aquele que está a vinte pontos do F.C.P.), mudei de canal sem sequer ter chegado a ver o final do desafio de futebol.

Ora, e porque a força do zapping só me deixou chegar ao canal 1, mudei para a estação que estava a dar a eleição da "melhor" canção para representar portugal (com letra pequena) no Festival Eurovisão da Canção. Enquanto me preparava para perguntar em voz alta "quem é que ainda via este espectáculo", apercebi-me que eu o estava a fazer e, por isso mesmo, deixei-me continuar na posição de tele-espectador!

"Como é que fui capaz ver aquilo?"...

Quem é que ficou a ver aquilo, para além de mim que estava apático com mais uma má e pobre exibição do Sporting?

Este final de Domingo, não fosse a minha ida à Quinta da Regaleira ter salvo o meu estado de espírito de fim-de-semana, foi lastimoso. Primeiro constatei que o Sporting perdeu mais uma partida, depois fui presenteado com o degredo vergonhoso das canções concorrentes do Festival da Canção. Finalmente...

...Já eram 23h e 30m quando me pus a escrever no Terminal e reparei que estava deprimido. Realmente deprimido. Desiludido com a prática de futebol nacional, e triste com a fraca qualidade que insiste em permanecer nas televisões portuguesas - sim porque depois, mas ainda antes de vir para "aqui", experimentei visitar os outros canais nacionais:

A Câmara Clara tinha Paula Moura Pinheiro que entrevistava a Xana dos Radio Macau - que ainda insiste em exibir a sua tendinite vocal; o Camilo em Sarilhos explanava os ruidosos textos de humor primário que foram, seguramente, escritos para provocar gargalhadas aos amigos de balcão rançoso dos Cafés com nomes próprios; a TVI mostrava os 20 minutos de anúncios que já devem, por esta altura, constar no Guiness Book of Records como o espaço publicitário mais demorado da História da Televisão.

Às 23h e 50m fui-me deitar....

...Mas antes, desliguei a televisão sem saber quem é que tinha ganho o concurso musical!

(Como é que fui capaz ver aquilo tudo!?...)

29/02/2008

Classificação de mensagens

Nova opção neste blog!

A partir agora, e porque acredito que às vezes as pessoas que lêem os meus posts não têm paciência para comentar, já se pode atribuir uma classificação às mensagens.

Embora não seja novo, este rápido mecanismo de classificação faz com que eu passe a ter uma melhor noção da pertinência daquilo que escrevo.

Já agora, e para quem quiser, deixo a hiper ligação do sítio de onde podem descarregar esta função.

http://www.outbrain.com/new/pages/get_ratings.html

Boas escritas e avaliações.


O Blogger

João Araújo Gomes a.k.a Zé

27/02/2008

Desafio Aceite

Porque mo propuseram, porque reflecti sobre o que me pediram, e porque me apeteceu também, aqui ficam as minhas doze palavras preferidas:

Conquista - A razão que faz que com que eu me aperfeiçoe. Gosto de o ser e de o fazer.

Respeito - Aquilo que tento praticar com todos aqueles que fazem parte da minha vida e uma das qualidades que mais aprecio nos outros

Solidariedade - A maior qualidade do ser-se humano

Tranquilidade - Embora agora possa ter um imediata conotação anedótica, é a maneira de estar que mais me agrada

Amor - Porque sem isso eu não vivo

Ana - Para além da óbvia razão

Pai - Uma das palavras mais bonitas para designar aquilo que serei um dia

Passado - Aquilo que estudo

Harmonia - Palavra quase onomatopaica

Homenagem - Aquilo que alguns merecem

Justiça - A maneira mais humana de interagir

Alcagoita - Para além de ser um fruto seco que gosto, dizê-lo põe-me bem disposto.

20/02/2008

Um dia "de-lassidão"

Acordei cedo da concentração, levantei-me da vontade e fui lavar a consciência. Pronto, quis logo começar a lidar com negação do "ter de". Por isso bebi um copo de lento e sai da casca.

Na paragem, tirei o impasse da carteira e mostrei-o à revisão:

-"Já caducou!" - disse-me ela.

-"Pois eu sei, mas também vou só até ali e já venho!

-"Está bem, por hoje passa! Mas olhe que não tem muito tempo... "

Voltei decidido e sentei-me à frente do dever. Arregacei as manhas, meti mãos-à-espera, e pus-me a vacilar freneticamente. Li mais um tecto, estudei a estereoscopia da visão com os "pestanejares" alternados enquanto me preparava para preparar, e concentrei-me no roda-pé do pretexto. Pré-parado finalmente, e já se começava a fazer cedo, acabei mas já era tarde.

O descansaço era tão grande, que nem escolhi a desculpa que ia levar no outro dia. A previsão dissera que os temperamentos iam aumentar mas que podia chover um ou outro remorso. Até previram uma tormenta...

Nada que uma boa capa de vontade não resolva - pensei enquanto me voltava para o mesmo lado!

"Bolas, que hoje fartei-me de procrastinar! Amanhã durmo até mais cedo a ver se me canso um bocadinho... Que diabo, também mereço!"

18/02/2008

DESEJO É DESEJO

Os desejos são salgados…
Têm seiva, resina, cuspo e suor.
Têm o gosto ambíguo de ser nosso e do devir.

Os desejos não são beijos…
Os desejos são desejos!
Se se tornam beijos, embora beijos,
Não são ensejos, quais cortejos,
Daquela cor que há-de surgir.

Os desejos são insónias…
Têm vinco, ruga, escara e ardor.
Têm o toque zimbrado do acordar e dormir.

Os desejos não são risos...
Os desejos são desejos!
Se se tornam risos, embora risos,
Não são juízos, quais precisos,
Daquela fé que há-de explodir.

E amanhã!...
Quando colheres do amar a concha
E do riso o seixo…
(Amanhã quando a língua
Parar o choro de ir pró queixo,
Provar o trago do desfecho,
E vir que o dia é já sem trecho),

Nesse amanhã,
(Salgado, amargo,
Com o sono a latir)
Verás que desejo é só desejo.
Mas se o quiseres tornar solfejo
Então deseja... Mas a sorrir.

Imitações Nacionais

Gostava de partilhar, enquanto não tenho tempo para escrever intentos, estas imitações de um tal de Luís Franco-Bastos.

Ora vejam lá se reconhecem os retratados...



PS: A máquina já chegou e já tenho calo por causa dos disparos. Quando puder, ponho aqui as primeiras fotografias que já tirei.

Ps2: Se o video estiver a demorar muito tempo, vão a este link http://pftv.sapo.pt/?v=cJk35tA1RB78eCnLcj7S

08/02/2008

Reflex[0] do combate asiático: Canon vs Nikon

Enquanto a minha nova aquisição não chega resolvi, muito por culpa das intermináveis horas de leitura de fóruns que me tornaram "especialista " em modelos e comparações básicas entre máquinas digitais, resolvi experimentar esta minha própria sequência crescente de qualidade e engenho.


Por enquanto, e até chegar a já certa Canon 450D e expeculada Canon 6D, esta é a minha classificação:


Em 7º lugar está esforçada Canon 400D












Em 6º lugar e talvez até a par da Canon 40D, não fosse o meu coração ter-se já Canonizado, escontra-se a famosa Nikon D80















Em 5º Lugar fica a Canon 40D, que só não fica em 6º porque é minha!














Em 4º está a galardoada Canon 5D













No pódio e em 3º está rapidíssima, nova, mas cara Nikon D300











Em 2º, e já a um nível estupidamente elevado, está a Profissionalíssima Nikon D3















Em 1º, como não podia deixar de ser, a indomável Canon 1Ds Mark III (que por acaso até é mais barata que a D3)


Estou seguro que um Nikonista faria a inversão dos dois primeiros lugares. Mas, claro está, aqui reside a beleza deste combate asiático - na indecisão entre as marcas.
May the best (photographer) win...

06/02/2008

A minha primeira Reflex

Pus as Pentax, Olympus, Sony, Minolta, Fuji e Kodak de lado, e centrei-me apenas nas Canon e Nikon. Depois de muito avaliar o meu poder de compra (ah, ah, ah - qual poder de compra?) decidi que ia comprar uma câmara Reflex. Li fóruns de fotografia digital; Blogs de fotógrafos amadores e profissionais; consultei manuais; li livros e até vi filmes didáticos sobre o tema. Para quê!? O objectivo era decidir-me em relação à escolha: Canon ou Nikon?


Resumindo, não cheguei a nenhuma conclusão! Todos aqueles que usavam Canon diziam que era a melhor! Os da Nikon diziam que aquela é que era a opção mais acertada!

Eu, que só queria comprar um máquina fotográfica, fiquei durante algum tempo sem saber o que fazer e que marca escolher... Só depois me decidi em ir falar com gente que soubesse do assunto. Neste caso, achei que os fotógrafos talvez fossem os agentes mais indicados para o trabalho.


Falei com quatro fotógrafos - dois dos quais profissionais! Sempre muito reticentes nos conselhos - não fosse eu condená-los por uma qualquer má escolha e/ou arrependimento (compreensível!!!), todos eles me disseram que, independentemente da minha opção de marca de aparelho o que seria importante era que eu continuasse a ser do Sporting!!! Não, estou a brincar! O que eles me disseram foi para escolher uma marca qualquer entre aquelas duas supracitadas mas atender, isso sim, à qualidade de lente que fosse escolher depois.


Lentes!?... Ora bolas, ainda não tinha lido nada sobre lentes! Leituras e fóruns mais tarde, lá me comecei a aperceber que o melhor seria escolher apenas uma lente - boa - que garantisse um funcionamento e aproveitamento máximos da máquina que adquirisse, do momento que quisesse captar, e da altura do dia em que o fizesse com as condicionantes óbvias da luz natural!


Por outras palavras e agora já com números, passo a explanar a minha escolha:


Canon Eos 40D, com uma lente Sigma 17-70mm F 2.8 - 4.5 DC Macro.


Quando a tiver nas mãos (à máquina fotográfica) e começar a tentar ser fotógrafo, logo vejo se a minha compra foi acertada ou não!

Espero bem que sim!...

Caso contrário, eu sei onde é que moram os fotógrafos com quem falei!

30/01/2008

As fotografias

Para começar este post, e para acabá-lo também, posso dizer que considero que o acto de fotografar alguma coisa ou alguém é, ou deve ser uma arte. Mesmo que essa arte não tenha conhecimento teórico, assim como um poema ou quadro que não obedece a nenhuma filosofia, a fotografia é uma vontade de quem quer parar o tempo abstracto num instante concreto de saudade. É um Bilhete de Ida para a recordação sempre que se quiser.

A percepção de realidade dada pela estampa do que foi torna-se ainda mais valiosa quando se consegue captar aquilo que se sentiu, e muito mais quando se transmite a mesma sensação sem que sejam precisas legendas ou traduções.


Por tudo isto, que até podendo não ser nada é muito mais do qualquer coisa, quero aperfeiçoar a minha técnica de parar instantes para a imagem.

Fiquem com um dos meus instantes que, apesar já o ter sido, irá continuar constante sempre com a mesma noção.

(Clicar no momento para o ver maior)
Irei partilhando mais momentos que já parei...

09/01/2008

...

Parti a planta pelo caule
Só porque a queria cheirar e ver;
Só porque a queria ter.

Gostava tanto dela
Do seu aroma e do seu cheiro
Do prazer que me dava ao olhá-la de primeiro
Que a fechei num cristal;
Num palácio primordial
Para que a essência dessa flor
Não se tornasse só estival.

Por acidente, mas por mim,
Parti-lhe a redoma um dia.
O seu talo decrescia...
Mas as flores que trazia
Estavam belas todavia
Sem que o cheiro chegasse ao fim.

Àquela mais pequena planta,
Agora flor de pouca haste,
Vou plantá-la em terra santa
Com um nó na garganta,
Mas para ver se renasce
E para que mais cheiro garanta:

- Cresce;
Quero que cresças por ti.
Quero que exales perfume!
E não posso ter ciúme
Dessas folhas já tuas
Que um dia quis e vi;

Quando os teus ramos e folhas
Derem sombra e temperatura
Deixa-me só olhar-te, absorto;
Deixa que ajeite o meu conforto
Debaixo dos galhos das escolhas
Que serão sempre tuas, ternura:
E deixar-me-ei estar aí
Até que vejas com altura
Que estou feliz e nunca morto.