27 de Out de 2009
Dicionário Joanino
Noção:
Conceito farto que preenche a certeza de conhecimento relativo. Relativa convicção de um assunto que não se domina. Seguro pensamento de ideia incerta.
Ex: tenho a noção que ando lá perto...
21 de Out de 2009
Feira da Ladra
Arrumámos tudo, expusemos tudo - porque lá vende o mais esperto do mais perto que há.
Naquela Leira da Farda, os cães passaram com a caravana a ladrar, estacionada, até que a senhora reformada voltasse a arrumar o pesado fardo de não ter outra hipótese. Ainda assim, e sempre com respeito, abrimos o peito para mais um pregão - e nunca com pregos no pão que a merenda fez-se de cozido na hora de pausa que interrompeu a causa e o ouvido.
Volvidos reforços e nutrientes, lá fomos nós ver mais clientes e gentes. Nós e os avós - de alguém que se calhar também lá vende - lá demos de caras com o alcatrão marcado a branco e vestido com roupas de marca. Na feira os larápios andam bem vestidos, só que mal dormidos.
Sem tropeçar nas bagatelas, ajeitámos o banco contra as malhas entre os sacos e os azulejos da senhora do cão - Ai, desculpe! Peço perdão! Que horas são!?
- "Isto hoje está fraco!"
O "Isto" era aquilo! Aquilo que para nós foi experiência, para outros paciência, que "isto" é todos os dias quando calha e onde pode. E se chove, quem os acode, tapa-se tudo com ciência escassa, que "isto" já passa e já seca.
Já disse que o chão é inclinado? E se chove fica tudo molhado, mas desce tudo para a rua do lado que até nisso a feira é boa. Especialmente desenhada para calhar mesmo ali. Calhou bem!
Os preçários dependeram dos horários e da boa vontade de cada um. Entre insistentes, desinteressados, apressados, inteligentes, forretas, caretas, sorridentes e desdentados, estivemos lá nós entre os maior parte reformados a trabalhar num sábado que não foi de cama porque não quisemos. Quisemos assim...
... e também fizemos dinheiro.
Acabado o dia, contámos os trocos e voltámos para casa sabendo bem onde isso era. Num outro, que também seja dia, havemos de lá voltar - também porque queremos. E a Feira, garanto, vai lá estar outra vez inclinada à espera de outra levada. E se tudo correr bem, no mesmo sítio marcado a branco da senhora que nunca vem!
22 de Jul de 2009
Comparações (parte 1)
O primeiro, americano, é sobre um caso de bullying (expressão recentemente inventada por norte americanos para classificar actos de violência psicológica e/ou física a putos indefesos perpetrada por indivíduos maiores ou mais fortes que eles - no meu tempo a isto chamava-se "aguenta-te à bomboca" e espera até seres maior). Seja como for, este caso foi de imediato comunicado às autoridades e passado num noticiário...
O segundo, português, é sobre outro caso de bullying (em portugal - sim, com letra pequena - não há cá nada dessas tretas que gaja não tinha nada que andar para ali a mandar não sei o quê a não sei quem... e toma lá outra tâmara que é para não seres parva). Desta vez a situação retrata, ao que parece, um ajuste de contas por ciúme motivado pelo envio de um pedido de amizade enviado pela alegada "Catarina" que não esperava que a namorada do receptor do convite, alegada "Marília", tivesse ficado com ciúmes e partisse para a violência. Este vídeo é bem mais antigo e, até agora, nem a tvi 24 mostrou o incidente, nem que fosse só para ganhar mais audiências.
Querem comparar?
A "Shaquia" mudou provavelmente de escola e família da agressora terá ido a tribunal. A "Catarina" rapou provavelmente o cabelo e virou freak maniaco-depressiva (e já não tem conta no hi5). Já a "Marília" foi eleita raínha do baile de finalistas, namora agora com um doberman, e o ex-namorado dela, com perfil de hi5 activo, ainda hoje não responde a pedidos de amizade.
21 de Jul de 2009
Boa noite
Temperaturas, risadas, chás gelados e paródias foram suficientes para me mudar o viso que, sem aviso, vieram para me dar boa noite.
Depois disso um beijo, conversa, uma prenda e uma promessa.
Deixem-me agradecer-vos o sorriso que me apetece dar agora mas com palavras porque me falta engenho de figura.
Tomem lá este sorriso estampado deste muito afortunado.
Obrigado.
20 de Jul de 2009
Naïfadas de culpa (parte 1)
Sem matemáticas e práticas as ideias que me fintam o raciocínio são às vezes verdadeiras naïfadas profundas e, ainda que inocentes, suficientemente fortes para me impedirem de continuar a escrever uma tese.
Diurnas ou nocturnas e por vezes naïfs, são ideias inoportunas de sonhos a curto-prazo que me empurram a vontade para o chão sem me dar de novo a mão para me ajudar a levantar o dever.
E depois de mais uma interjeição que tem mais um "R" que a ira, lá tenho eu que voltar a pegar no motivo do objecto e torná-lo objectivo. Matuto...Matuto... E lá se vai a força matutina.Dou alguns exemplos de naïfadas:
O trabalho cancelado em Espanha; o início da provável calvice; o constante estado de parvoíce; a venda e compra de carro; os desenhos no museu; os cães que mataram um pássaro; as horas fechado em casa; a bolsa que não chega; o tempo que vai passando; as noites que não ficam quentes; a fome de coisas que não há no frigorífico; as férias que quero fazer com Ela; o beijo que lhe quero dar; a doença na família; uma provável estada austral; o que falta fazer; o que não apetece; o que apetece; o que aquece; o que merece; o Sporting (ah ah ah); o tecto e a parede; a Internet e o YouTube; as 18 horas...
Distracção... Espera aí um bocadinho! Agora não dá!
Mas até já.
2 de Jul de 2009
Gripe da Crise
- “ Mas eu ainda não lavei as mãos! A professora disse que agora temos que lavar mais as mãos por causa do vírus!”
- “Lavas quando chegares ao infantário! Come isso depressa que a mãe está com pressa!”
A Marta suspirou os 3 euros para cima do balcão e ainda nem tinha acabado de comer o rissol. De boca cheia e com o resto do salgado preso nos lábios diz “Obhigaho” à dona do café, baixa-se para vestir o casaco ao Martim com postura torta para a carteira não cair e apressa-se para o carro – que já é tarde e o IC19 não perdoa depois das 8 e 30m.
Dez buzinadelas mais tarde e a micro-família já avista infantário.
- “Mãe, sabias que o Tomás está doente?”
- “Quem o filho da professora?”
- “Não, o filho da Maria João que veio cá a casa ontem”
- “Coitadinho, com o quê?”
- “Gripe.”
“Deve ser das porcarias que a mãe lhe dá” – pensa a Marta enquanto faz a última rotunda e põe o rádio mais alto para ouvir as notícias das 9. Enjaulado o Martim, lá vai a mãe nervosa por causa da entrevista. Contorna aquela rotunda, faz o mesmo com mais algumas e o profissional da rádio informa, numa notícia que não dura mais que 20 segundos, que foi confirmado mais um caso de Gripe-A numa criança de Queluz. Logo a seguir o mesmo comprimento de onda, mas já noutra onda de seriedade, começa uma reportagem com um economista a falar sobre o desemprego. Marta aumenta ainda mais o volume do rádio porque, isto sim, interessa. Afinal de contas, e era com contas que ela se preocupava, havia sido despedida há duas semanas da empresa por causa de cortes orçamentais.
Marta ia agora ter uma entrevista noutra empresa. Chegada depois de uma maratona de condução, pedem-lhe para (des)esperar numa sala de 2 metros quadrados decorada com cartazes alusivos às novas precauções de higinene e segurança no trabalho.
Lave bem as mãos! Espirre para um lenço e assegure-se de que não o faz perto de colegas! Lembre-se que o seu bem-estar é o bem-estar dos outros!
O único anúncio que Marta lê é aquele mais pequeno, isolado e pouco colorido que diz que se procuram contabilistas.
São agora seis e meia da tarde e a mãe Marta já traz o desencarcerado Martim. Triste porque não ter sido aceite na empresa, manda calar o filho que se queixa numa birra porque lhe doi a garganta.
António, director de uma empresa de contabilidade, acabou de deixar a filha na escola e liga de novo o carro para ir trabalhar. Na rádio ouve a notícia que foi detectado o segundo caso de Gripe-A em Queluz. O sedundo em dois dias, e noutra criança! António muda de estação e nem ouve o resto das notícias – “Não me posso esquecer de ligar ao Pinto por causa do empréstimo!”



