18/03/2009

Cultura? Não, crocodilos!!!

Afixo a seguinte notícia:

Jornalista espanhol afirma que há crocodilos no rio Douro.

Ora esta ode ao jornalismo Nacional, qual matriosca jornalística porque notícia de própria notícia, foi-nos transmitida pelo único canal televisivo que até hoje julgava sério - a RTP. Rejeitando sempre o TVIsmo, a RTP pautava-se sempre pela acuidade jornalística e pela seriedade.

Mas tudo tem um fim não é!? Pois parece que sim e que a RTP se despediu da seriedade...

Com claras intenções, suponho, de aliviar o clima de crise nacional, o dito serviço informativo noticiou uma publicação de um jornal menor espanhol que alertava para a eventual existência, em plena bacia hidrográfica do Douro, de crocodilos - e que os hermanos, quais nuestros qual cacete, insistem em chamar dislexicamente cocodrilos.

Pois é! Brilhante, não!? Encher um espaço noticioso com 5 minutos de reportagem sobre um engano de um burro espanhol que não entendeu a piada do dono da empresa de ferry boats que opera no Douro há já alguns anos e que decidiu colocar uma placa de aviso:

Danger Crocodiles. No swimming!




Que o jornalista latino é burro, até aí já tínhamos chegado. Agora que se faça reportagem deste engano irrisório e não se dê tempo de antena aos problemas do património cultural do País isso já é outra coisa....

...Sobretudo num dia em que houve uma manifestação à porta da instituição do IGESPAR, IP. reunindo uma grande número de intervenientes preocupados não só com a mudança do actual Museu dos Coches para aquele espaço, mas principalmente com o futuro incerto da nova instituição encarregue de velar pela defesa do património...

Fale-se de Cocodrilos pois então!!! Quem é que quer saber de gente que só atrasa obras porque insiste nos seus acompanhamentos arqueológicos, e de pessoas que tentam defender a cultura?

A cultura está no Coco...drilo

Ps: para os mais curiosos aqui fica a brilhante notícia espanhola. Para aqueles que querem mesmo ver a notícia portuguesa, aqui fica o link.


08/03/2009

Ressarcimentos

À volta da sensação de impossibilidade, aquela que nos costuma interromper acções mecânicas diárias de estar vivo, está tudo que não conseguimos explicar. Já desisti de tentar de perceber a morte. O fim. Os fins. Já desisti porque não consigo ir além da conclusão de que se morremos foi porque, claro está, estamos vivos.

A definição de vida, e refiro-me à biológica, passa pela simples troca de fluídos que garante a subsistência de um corpo animado. Certo? Mais coisa menos outra...

A definição de vida, refiro-me à outra - essa que não conseguimos explicar, talvez se possa tentar justificar com sensações. Espirituais, poéticas, práticas, matemáticas, estéticas... Mas seja o que for que queiramos sentir, não há ninguém que consiga demonstrar a verdadeira razão de estarmos todos aqui.

Embora lute intermitentemente contra a realização absurda de que estamos vivos por causa de nada e só porque sim, tenho de admitir que talvez seja essa a asserção mais pragmática perante a constante falta de resposta.

Tenho no entanto a ideia de que todo o ser que tem consciência de si sabe que merece ressarcimentos pelos empenhos. Justamente por isso é que os mais crédulos descansam o intelecto com a certeza da recompensa depois de uma vida sem "pecado"...

Mas não será essa a nossa única opção? Acreditar nalguma coisa que nos tranquilize? Crer no que nos faça sentir bem?... Um direito é certamente.

No que toca à minha fraca maneira de concluir existências, e para usar silogismos oriundos da falta de mais, só posso assertar que:

Morremos sempre sozinhos. Vivemos sempre acompanhados. Se os ressarcimentos nos são dados sempre por outra pessoa, então não há recompensas por morrer.

A melhor recompensa é estar vivo com e para mais alguém... Os ressarcimentos são tidos agora e por enquanto.

03/03/2009

Rocky da Costa

Para todos os adeptos do desporto que queiram dar umas pêras no "Exmo." Sr. Pinto da Costa, têm agora aqui a oportunidade.

Round 1: Fight!!!

A-esquerda; S-uppercut; D-direita; Espaço-defender



PS: O Sacana do velho até neste jogo é lixado!!!

25/02/2009

Lei da Rolha

A partir de agora todos os arqueólogos perdem a autonomia de decisão no embargo, alteração ou interrupção de obras que possa afectar monumentos ou sítios arqueológicos. Respeitando decisões hierárquicas, os arqueólogos "têm sempre que adoptar a posição oficial e defendê-la como sendo sua, em reuniões com terceiros".

Adeus à autonomia da profissão



Reparem na cara de convicção que o Sr. Director do IGESPAR,IP Elísio Summavielle coloca quando tenta defender "como sua" uma posição de hierarquia superior...

Bill Watterson vs Quino

19/02/2009

"Zé" Seramargo

Cá vai disto:

Da amálgama de desilusões que já o tinham ultrapassado restava-lhe o menisco do discurso que ainda por cima estava lesionado desde o dia que pôs a carroça à sua frente. Não era agricultor mas cultivava desejos precipitados e ansiosos, ociosos nem por isso que ele era homem de trabalho claro está. E sua mãe que era má peça mas de museu bem antigo guardava-lhe os livros para que não se distraísse com as parvoíces do ecletismo que aquilo não dava dinheiro nenhum. Insistia pouco seguro mas no futuro que sabia ter de ser melhor que o de seu pai homem de poucas palavras e muitas chapadas cheios de erros circunflexos e de aspereza das esperas ele sim agricultor mas pouco culto porque à força adulto...

Tentativa terminada!

Era bom saber escrever como Nobel da literatura! Como seria se eu o fosse!?


PS: Esta história não é a do Saramago. É a de um Ser Amargo.

16/02/2009

Flexões repetidas #2

Disputa entre a embriaguez romântica do destino e a parcimónia animal do acaso...

Quem ganha? O Sono.

25/11/2008

De baraços cruzados

Um autor conta o se calhar sem que a regra diga, e a noção cale. Com a decisão de respeito, gosta de prosar para a fotografia para se sentar mais feliz.

Com a escrita o autor lava o reflexo, seja de espírito, de alma, de espelho da calma... E exalta vontades latas de encómios - porque ninguém escreve para si.

Um sujeito pré-indicado complementará um discurso directo na circunstância de um lugar e de um tempo, participando no presente para se tornar autor. E sem ter a certeza do que o torna e torneia só pode, como todos, chegar ao ponto final que diz que só o futuro é que é puro e seguro porque incerto. Maduro.


E se os baraços se cruzassem e a escrita não se fizesse?