À volta da sensação de impossibilidade, aquela que nos costuma interromper acções mecânicas diárias de estar vivo, está tudo que não conseguimos explicar. Já desisti de tentar de perceber a morte. O fim. Os fins. Já desisti porque não consigo ir além da conclusão de que se morremos foi porque, claro está, estamos vivos.
A definição de vida, e refiro-me à biológica, passa pela simples troca de fluídos que garante a subsistência de um corpo animado. Certo? Mais coisa menos outra...
A definição de vida, refiro-me à outra - essa que não conseguimos explicar, talvez se possa tentar justificar com sensações. Espirituais, poéticas, práticas, matemáticas, estéticas... Mas seja o que for que queiramos sentir, não há ninguém que consiga demonstrar a verdadeira razão de estarmos todos aqui.
Embora lute intermitentemente contra a realização absurda de que estamos vivos por causa de nada e só porque sim, tenho de admitir que talvez seja essa a asserção mais pragmática perante a constante falta de resposta.
Tenho no entanto a ideia de que todo o ser que tem consciência de si sabe que merece ressarcimentos pelos empenhos. Justamente por isso é que os mais crédulos descansam o intelecto com a certeza da recompensa depois de uma vida sem "pecado"...
Mas não será essa a nossa única opção? Acreditar nalguma coisa que nos tranquilize? Crer no que nos faça sentir bem?... Um direito é certamente.
No que toca à minha fraca maneira de concluir existências, e para usar silogismos oriundos da falta de mais, só posso assertar que:
Morremos sempre sozinhos. Vivemos sempre acompanhados. Se os ressarcimentos nos são dados sempre por outra pessoa, então não há recompensas por morrer.
A melhor recompensa é estar vivo com e para mais alguém... Os ressarcimentos são tidos agora e por enquanto.